E ficou faltando coisa...
... mais precisamente, aqui.
A começar por Humbug, dos Arctic Monkeys; que sonoridade intensa, instrumento por instrumento. O que parecia ginasial nos dois primeiros trabalhos ganhou substância a ponto de não ter uma faixa ruim sequer nesse. Os moleques cresceram, chegaram na minha playlist e não saem mais. "Cornerstone" é daquelas canções que já nascem eternas, redonda que é. Mesmo tocada com o mínimo, continua linda.
Passamos para Heligoland, do Massive Attack, que eu não sei bem se ainda é de 2009. Mesmo trazendo o DNA dos caras, poderia passar despercebido em sua carreira. Não fosse uma sequência matadora que aparece lá no meio, de "Paradise Circus" - com a belíssima voz de Hope Sandoval - até a sinistra "Atlas Air". So fresh and so clean. Já apareceu até um remix muito bom de "Paradise Circus", do Gui Boratto. Segundo o próprio, os ingleses gostaram de ver.
Teve também The Fall, da Norah Jones, uma belezinha. Você manda ele inteiro num respiro e pode ouvir alto que a avó não chia. Aliás, deve descer ainda melhor a bordo de uma cadeira de balanço. Olha que delícia. Pelo que andei lendo, esse trampo foi o descarrego da moça pelo fim de um grande amor. E a gente sabe, né, que a dor do fim do amor é muitas vezes um motor. Veja só o Eike.
Agora, se eu me interesso mais pelo que vem de fora, não é por não ter ouvidos para o que é feito na terra do Axego.
Só passe reto pelo brega progressivo de Uhuuu! do Cidadão Instigado, que deve agradar apenas a uma meia dúzia de camaradas dos caras e mais o Indiano. Reserve apenas uma escutadela rápida para Vagarosa, da Céu, cujo nome já diz muito: vai até o fim sem parecer que começa. Ao vivo deve soar melhor.
E pare mesmo em Iê Iê Iê, do Arnaldo Antunes. O cara acertou a mão ao deixar o cabecismo de lado e reunir um punhado de canções pop boas e baratas, dignas de sua época nos Titãs. Se o disco é competente, o show mantém o nível, com direito a Curumin, Scandurra e grande elenco. Pude conferir no sempre agradável Auditório Ibirapuera, domingo último.
Se ainda sobrar espaço no HD, pegue logo Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos, do Otto. Um trabalho forte e catártico: nos timbres, nas letras, na interpretação. Dê uma chance a ele, até uma segunda se precisar. Você também pode ir ao sempre agradável Auditório Ibirapuera nesse final de semana, assim como eu.
Enfim, bom apetite para os orelhos!
PS: Não coloquei link de Rapidshare nenhum, mas o Capitão sempre pode te dar aquele help.



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