19/03/2010

Voluntários da pátria

Se penso em fazer uma boa ação, faço e priu. Não saio vendendo o ato, tipo celebridade que doa milhões para o Haiti e manda a assessoria caprichar no informe.

Ainda que no caso dessas, vá lá, figurões dependem de sua imagem pública. Eu é que não.

Não vou chegar no trabalho, dar bom dia e você não sabe: fui doar sangue e quase desmaiei, mas lavei a alma; me senti um ser humano melhor. Ou tuitar que hoje ajudei uma velhinha a atravessar a rua e o sorriso dela me fez ganhar o dia. My ass!

Tem coisas que você faz porque, se não fizer, o travesseiro incomoda. Se não fizer, você será menos você. E só quem faz é que entende, muito mais do que quem recebe a boa ação ou escuta a história.

Altruísmo em seu significado mais profundo, já te explicaram o que é?


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Para o receptor, tanto faz se fiz ou não o que estou dizendo que faço. A verdade do meu discurso está no valor que você me dá. No final, compra quem quer.

Assim como uma propaganda de sabão em pó.


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Tipo, o colega de trabalho faz anos e a turma se organiza para um presente. Dez reais de cada deixarão a pessoa mais feliz. A participação é voluntária; a obrigação vai da cabeça.

Daí você avisa a todos que está dentro, escreve uma dedicatória no cartão comunitário e, na hora de pagar, finge que não é contigo?

Propaganda enganosa, para dizer o mínimo.


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Já reparou como a morte está presente em nosso vocabulário? Tô morrendo de dor, de sono, de saudades, de rir. Quanto morre? Morre aqui.

Que eu saiba, no inglês não existe. No espanhol tem, não tem?

Sem juízo de valor, a língua é o que o povo fala.

1 comentários:

Etil disse...

Em inglês existe algumas expressões sim, tipo "I'm dying to know (about something)".
E a primeira parte do post matou a pau! :B