19/11/2009

Imagine que Deus lhe pergunta algo

Você não sabe responder de bate-pronto, mas tem como descobrir e assim o faz. Com a resposta na ponta da língua, Deus não está mais ali para escutar.

Você vira ateu?

Só digo que, mesmo indignado, nunca abdique do estilo.

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Tipo aquela empresária ligadona no Feng Shui.

Na reforma da empresa, quis tudo de acordo com os preceitos. Paredes, iluminação, arrumação: tudo nos conformes zen. Até os móveis foram feitos sob medida para o peso e altura de cada colaborador, harmonia auspiciosa para o bom agouro.

Só que a empresa contratava em regime de PJ. O turnover era inevitável. Daí que ficou difícil encontrar alguém para aquela vaga de 1,63 metros de altura.

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Tem aldeia com muito cacique pra pouco índio. Tem aldeia com muito índio pra pouco cacique. Nem uma e nem outra sabem fazer a dança da chuva direito. 

E Cobra Coral é um em um milhão.

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Queria desligar a máquina, levantar e passar na casa de cada amigo pra dar um abraço. Convidar pra chegar na minha e assistir ao DVD dos Trapalhões com o Ozzy e a Elza.

Porque tô feliz. E juntos nosso canto vira coro, la la lá.


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Opinião de fã é como vaia de bêbado. Por isso nem comento o show do Deftones, do Jane's Addiction, do Faith No More, porra! Caraleo!

Bora pro feriado que a gente tem muito que beber pela frente. Away!

12/11/2009

Você usa AXE?

Eu não. Deixa mó fuá. Quem lembra do Carlão pode confirmar...

Parêntese: Carlão, gordogeleia e espinhudo. O primeiro ser humano do gênero masculino com o hábito de fazer a unha que conheci. Tipo, imagina um Maguila metrossexual. Ele curtia esse tipo de som e dizia que pegava geral, mas você sabia que ele tava chegando de longe pelo cheiro. Cheiro de coalhada com AXE.

Então, fechou parêntese, AXE é um case. A comunicação e a imagem da marca superam a qualidade do produto. Nem sempre acertam, mas esse comercial novo é demais:



E Carlão, você é o cara. Brilha muito. Só não put your hands up in the air que a pista agradece.

16/10/2009

Muita CALMA nessa hora

Stephan Doitschinoff é um artista plástico brasileiro cujo trabalho tem ganhado bastante destaque ultimamente, não apenas em nosso território. Sua tinta e pincel passam pela arte de rua, pela cultura popular brasileira e vão além.

Particularmente, lembro dele no Nenê Vudu, banda de ska-core que foi presente em outros tempos do barulho paulistano.

O fato é que, entre 2005 e 2008, o cara esteve no interior da Bahia - mais precisamente em Lençóis, cidade da Chapada Diamantina que ainda hei de conhecer - e tratou de pintar as casas das pessoas.

Veja o registro nesse curta, que vale mais que os 13 minutos do seu tempo:



A trilha é dos sempre bons Hurtmold. E só para dizer que, quando se ama o que se faz, não existe trabalho e sim realização.

09/10/2009

Tiete far from home

Eu tinha acabado de mandar um kebab na pracinha de alimentação. Lembro de uns pedaços graúdos de cebola crua, bafão que só alguém sozinho suporta. Fato: minhas companhias já tinham se mandado, depois do ótimo De La Soul. Férias eram exclusividade desse sudaca aqui, de rolê num festival em Barcelona.

Passei por Vampire Weekend, mandei o kebab e fui conferir o Midnight Juggernauts. Quem não saiu do meu lado o tempo todo foi a Estrella Damm, gostosa que só ela. Àquela altura dos 5,5% de álcool em temperatura ambiente, a multidão era minha amiga e nada me faltaria.

Foi nessas que abordei um sujeito pra perguntar se ele não era o Geoff Barrow. Certeza que era o cara. O Portishead tinha despejado sua densidade na mesma noite e eu agora via o mentor da banda ao alcance do meu teor alcoólico. Ele tava muito louco de sei lá o quê e a altura do som não ajudava qualquer diálogo. Tive que repetir várias vezes e com pronúncias diferentes: Are you Geoff Barrow? Eres Geoff de Portishead? Tu t'appelle Geoff?

E talvez o camarada ainda achasse que estava sendo xavecado, sei lá. Eu só queria saber se ele era o Geoff. Se fosse, me ofereceria para lhe pagar um kebab. Sem cebola, claro.

Até que ele entendeu, deu risada, disse que não. Ainda deve ter comentado com os amigos sobre o gringo bêbado, ó o cara... E eu, num lampejo de sobriedade, fui embora.

E tudo isso pra dizer que o Midnight Juggernauts tá com um clipe novo. Que se a vibe MGMT da música não empolgar, pelo menos o vídeo é bonito de se ver. Especialmente se você estiver sob efeito de um kebab lisérgico ou algo assim.

25/09/2009

Emanuel, o Mané

O moleque mais mal caráter do prédio. Devia ter alguma inveja obscura de mim. Ou apenas me via como um bobo.

Não que eu fosse igual ao Fabinho, cuja mãe não permitiu que atravessasse a rua até completar 10 anos. No quesito malvadeza, Fabinho estava para mim assim como eu estava para o Mané. E eu estava para o Mané assim como o Mané estava para o Champinha.

Acontece que a família do Mané era crente. Talvez por isso, ficou no meu subconsciente um preconceito com a turma.

Da mãe eu não lembro muito, mas o pai era bem esquisito - devia ter alguma deficiência mental. A tia era cega, tocava piano e tinha um salsichinha neurótico. A avó me lembrava a Mama Fratelli. A filha mais velha era meio vadia, mostrava os peitos na janela pra galera do prédio vizinho. E o mais novo era o Mané, o moleque mais mal caráter do prédio.

Certa feita, eu bem pequeno, me chamaram pra participar do culto no apartamento deles. Fui. O culto era a tia cega no piano com a família toda cantando uma música de louvação após a outra. E eu, mudo de educação.

Passado o setlist, a avó dos Goonies e do Mané pergunta ao cordeiro:

- Tem alguma que você gostou mais?

Fuck.

- A do soldadinho?

E toca ouvir a saga do soldadinho de Jesus novamente.

Eu devia ter uns 8 anos quando o Mané começou a me perseguir. Isso já foi um bom tempo depois dele ter dado sumiço no meu Playmobil xerife, o único com estrelinha no peito.

Aliás, se não me engano, o Playmobil xerife tinha um valor ainda maior porque roubei ele do Vinícius. Ou do Fabinho.

Era só eu aparecer para o Mané querer sair na mão comigo. Um grandiosíssimo filho da puta. Como ele era meio subnutrido, diziam que eu podia dar um pau nele. Nunca dei. Três anos e sangue no olho de diferença significam bastante coisa em certa fase da vida.

Mas se eu encontrasse o Mané hoje, fico em dúvida se eu não ia querer dar um pescotapa. Minha infância foi linda, mas ele era uma pedra no Bubble Gummer. Claro que existe a possibilidade do Mané ter se alistado no PCC, daí eu passo.

Ailás, se fosse pra bater aposta, Mané, eu diria que você não chegou até aqui. Só Deus pra ter te salvado.

23/09/2009

Não se trata de uma mão lavar a outra....

... mas de agradecer à mão que liga o bidê para você quando seus dois braços estão engessados.

Se você está buscando trabalho e alguém te indica para um que acaba virando, você procura a pessoa para agradecer? Tipo, antes que a notícia chegue até ela?

Se o seu trabalho envolve prospecção e alguém indica você a um cliente que te procura, você conta para a pessoa? Tipo, antes dela perguntar no quê deu?

É questão de educação, de ética, ou de implicância do emissor aqui?

De uma coisa tenho certeza: nâo se trata de querer algo em troca. Pense nisso que daqui a pouco eu volto.

16/09/2009

Eco
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