Café recém passado. Da garrafa térmica para o copinho de plástico. Acabara de chegar para o turno da tarde, logo após um virado à paulista. Surge o primeiro chamado do expediente.
Em outros tempos, não existia paramédicos. Eram ele e o enfermeiro em cena. Provavelmente, também algum santinho na diligência. E a vítima que ficasse paciente até onde respirasse.
Favela na boca da Raposo. Adentrar nem foi preciso: o corpo agonizava numa viela de saída, uns três buracos de bala visíveis. Joga na maca, na ambulância e arranca.
Rumo ao hospital, abrindo caminho com a sirene, o retrovisor anuncia que estavam sendo seguidos. Logo emparelham duas motos, uma de cada lado, os da garupa com arma em punho. Parada obrigatória.
Em meio ao tráfego do Butantã, abrem alas para o quase morto. Duas rajadas e a confirmação do óbito. Circulando, porra, circulando!
Ficou difícil para o enfermeiro conter os nervos durante o retorno. Se bobear até pediu as contas nesse dia, a memória falha. Antes tivesse feito como nosso protagonista, que tomara um tarja preta com o guaraná do almoço. Ossos do ofício.
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- Caralho! Tem quer ter muito sangue frio pra um trampo dessses... tá loco!
- Olha, posso te dizer que essa é só uma história. Tem várias.
- Mas agora a vida tá mais tranquila, diz aí...
- Agora tô na paz, né... Fazendo o meu, os filhos criados... Sem adrenalina.
- Pode encostar em frente à escola de inglês que o prédio é aquele ali.
- Perfeitamente.
QRU, quilometragem, horário de início, de término, valor da corrida.
- Tô arredondando pra trinta e cinco, beleza?
- Opa, mas é lógico...!
- Falou, parceiro, brigadão e até a próxima.
- Valeu, rapaz, bom descanso pra você.