25/09/2009

Emanuel, o Mané

O moleque mais mal caráter do prédio. Devia ter alguma inveja obscura de mim. Ou apenas me via como um bobo.

Não que eu fosse igual ao Fabinho, cuja mãe não permitiu que atravessasse a rua até completar 10 anos. No quesito malvadeza, Fabinho estava para mim assim como eu estava para o Mané. E eu estava para o Mané assim como o Mané estava para o Champinha.

Acontece que a família do Mané era crente. Talvez por isso, ficou no meu subconsciente um preconceito com a turma.

Da mãe eu não lembro muito, mas o pai era bem esquisito - devia ter alguma deficiência mental. A tia era cega, tocava piano e tinha um salsichinha neurótico. A avó me lembrava a Mama Fratelli. A filha mais velha era meio vadia, mostrava os peitos na janela pra galera do prédio vizinho. E o mais novo era o Mané, o moleque mais mal caráter do prédio.

Certa feita, eu bem pequeno, me chamaram pra participar do culto no apartamento deles. Fui. O culto era a tia cega no piano com a família toda cantando uma música de louvação após a outra. E eu, mudo de educação.

Passado o setlist, a avó dos Goonies e do Mané pergunta ao cordeiro:

- Tem alguma que você gostou mais?

Fuck.

- A do soldadinho?

E toca ouvir a saga do soldadinho de Jesus novamente.

Eu devia ter uns 8 anos quando o Mané começou a me perseguir. Isso já foi um bom tempo depois dele ter dado sumiço no meu Playmobil xerife, o único com estrelinha no peito.

Aliás, se não me engano, o Playmobil xerife tinha um valor ainda maior porque roubei ele do Vinícius. Ou do Fabinho.

Era só eu aparecer para o Mané querer sair na mão comigo. Um grandiosíssimo filho da puta. Como ele era meio subnutrido, diziam que eu podia dar um pau nele. Nunca dei. Três anos e sangue no olho de diferença significam bastante coisa em certa fase da vida.

Mas se eu encontrasse o Mané hoje, fico em dúvida se eu não ia querer dar um pescotapa. Minha infância foi linda, mas ele era uma pedra no Bubble Gummer. Claro que existe a possibilidade do Mané ter se alistado no PCC, daí eu passo.

Ailás, se fosse pra bater aposta, Mané, eu diria que você não chegou até aqui. Só Deus pra ter te salvado.

23/09/2009

Não se trata de uma mão lavar a outra....

... mas de agradecer à mão que liga o bidê para você quando seus dois braços estão engessados.

Se você está buscando trabalho e alguém te indica para um que acaba virando, você procura a pessoa para agradecer? Tipo, antes que a notícia chegue até ela?

Se o seu trabalho envolve prospecção e alguém indica você a um cliente que te procura, você conta para a pessoa? Tipo, antes dela perguntar no quê deu?

É questão de educação, de ética, ou de implicância do emissor aqui?

De uma coisa tenho certeza: nâo se trata de querer algo em troca. Pense nisso que daqui a pouco eu volto.

16/09/2009

Eco
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