Eu tinha acabado de mandar um kebab na pracinha de alimentação. Lembro de uns pedaços graúdos de cebola crua, bafão que só alguém sozinho suporta. Fato: minhas companhias já tinham se mandado, depois do ótimo De La Soul. Férias eram exclusividade desse sudaca aqui, de rolê num festival em Barcelona.
Passei por Vampire Weekend, mandei o kebab e fui conferir o Midnight Juggernauts. Quem não saiu do meu lado o tempo todo foi a Estrella Damm, gostosa que só ela. Àquela altura dos 5,5% de álcool em temperatura ambiente, a multidão era minha amiga e nada me faltaria.
Foi nessas que abordei um sujeito pra perguntar se ele não era o Geoff Barrow. Certeza que era o cara. O Portishead tinha despejado sua densidade na mesma noite e eu agora via o mentor da banda ao alcance do meu teor alcoólico. Ele tava muito louco de sei lá o quê e a altura do som não ajudava qualquer diálogo. Tive que repetir várias vezes e com pronúncias diferentes: Are you Geoff Barrow? Eres Geoff de Portishead? Tu t'appelle Geoff?
E talvez o camarada ainda achasse que estava sendo xavecado, sei lá. Eu só queria saber se ele era o Geoff. Se fosse, me ofereceria para lhe pagar um kebab. Sem cebola, claro.
Até que ele entendeu, deu risada, disse que não. Ainda deve ter comentado com os amigos sobre o gringo bêbado, ó o cara... E eu, num lampejo de sobriedade, fui embora.
E tudo isso pra dizer que o Midnight Juggernauts tá com um clipe novo. Que se a vibe MGMT da música não empolgar, pelo menos o vídeo é bonito de se ver. Especialmente se você estiver sob efeito de um kebab lisérgico ou algo assim.